Presidente falou devido às
manifestações desta semana por todo o país. Ela prometeu pacto com governadores
pela melhoria dos serviços públicos
Leia abaixo e veja no
vídeo a íntegra do pronunciamento na sexta-feira 21 de junho da presidente
Dilma Rousseff em cadeia nacional de rádio e televisão.
Minhas amigas e meus
amigos,
Todos nós, brasileiras e
brasileiros, estamos acompanhando, com muita atenção, as manifestações que
ocorrem no país. Elas mostram a força de nossa democracia e o desejo da
juventude de fazer o Brasil avançar.
Se aproveitarmos bem o
impulso desta nova energia política, poderemos fazer, melhor e mais rápido,
muita coisa que o Brasil ainda não conseguiu realizar por causa de limitações
políticas e econômicas. Mas, se deixarmos que a violência nos faça perder o
rumo, estaremos não apenas desperdiçando uma grande oportunidade histórica,
como também correndo o risco de colocar muita coisa a perder.
Como presidenta, eu tenho a
obrigação tanto de ouvir a voz das ruas, como dialogar com todos os segmentos,
mas tudo dentro dos primados da lei e da ordem, indispensáveis para a
democracia.
O Brasil lutou muito para
se tornar um país democrático. E também está lutando muito para se tornar um
país mais justo. Não foi fácil chegar onde chegamos, como também não é fácil
chegar onde desejam muitos dos que foram às ruas. Só tornaremos isso realidade
se fortalecermos a democracia – o poder cidadão e os poderes da República.
Os manifestantes têm o
direito e a liberdade de questionar e criticar tudo, de propor e exigir
mudanças, de lutar por mais qualidade de vida, de defender com paixão suas ideias
e propostas, mas precisam fazer isso de forma pacífica e ordeira.
O governo e a sociedade não
podem aceitar que uma minoria violenta e autoritária destrua o patrimônio
público e privado, ataque templos, incendeie carros, apedreje ônibus e tente
levar o caos aos nossos principais centros urbanos. Essa violência, promovida
por uma pequena minoria, não pode manchar um movimento pacífico e democrático. Não
podemos conviver com essa violência que envergonha o Brasil. Todas as
instituições e os órgãos da Segurança Pública têm o dever de coibir, dentro dos
limites da lei, toda forma de violência e vandalismo.
Com equilíbrio e
serenidade, porém, com firmeza, vamos continuar garantindo o direito e a
liberdade de todos. Asseguro a vocês: vamos manter a ordem.
Brasileiras e brasileiros,
As manifestações dessa
semana trouxeram importantes lições: as tarifas baixaram e as pautas dos
manifestantes ganharam prioridade nacional. Temos que aproveitar o vigor destas
manifestações para produzir mais mudanças, mudanças que beneficiem o conjunto
da população brasileira.
A minha geração lutou muito
para que a voz das ruas fosse ouvida. Muitos foram perseguidos, torturados e
morreram por isso. A voz das ruas precisa ser ouvida e respeitada, e ela não
pode ser confundida com o barulho e a
truculência de alguns arruaceiros.
Sou a presidenta de todos
os brasileiros, dos que se manifestam e dos que não se manifestam. A mensagem
direta das ruas é pacífica e democrática.
Ela reivindica um combate sistemático à corrupção e
ao desvio de recursos públicos. Todos me conhecem. Disso eu não abro mão.
Esta mensagem exige
serviços públicos de mais qualidade. Ela quer escolas de qualidade; ela quer
atendimento de saúde de qualidade; ela quer um transporte público melhor e a
preço justo; ela quer mais segurança. Ela quer mais. E para dar mais, as
instituições e os governos devem mudar.
Irei conversar, nos
próximos dias, com os chefes dos outros poderes para somarmos esforços. Vou
convidar os governadores e os prefeitos das principais cidades do país para um
grande pacto em torno da melhoria dos serviços públicos.
O foco será: primeiro, a
elaboração do Plano Nacional de Mobilidade Urbana, que privilegie o transporte
coletivo. Segundo, a destinação de cem por cento dos recursos do petróleo para
a educação. Terceiro, trazer de imediato milhares de médicos do exterior para
ampliar o atendimento do Sistema Único de Saúde, o SUS.
Anuncio que vou receber os
líderes das manifestações pacíficas, os representantes das organizações de
jovens, das entidades sindicais, dos movimentos de trabalhadores, das
associações populares. Precisamos de suas contribuições, reflexões e
experiências, de sua energia e criatividade, de sua aposta no futuro e de sua
capacidade de questionar erros do passado e do presente.
Brasileiras e brasileiros,
Precisamos oxigenar o nosso
sistema político. Encontrar mecanismos que tornem nossas instituições mais
transparentes, mais resistentes aos malfeitos e, acima de tudo, mais permeáveis
à influência da sociedade. É a cidadania, e não o poder econômico, quem deve
ser ouvido em primeiro lugar.
Quero contribuir para a
construção de uma ampla e profunda reforma política, que amplie a participação
popular. É um equívoco achar que qualquer país possa prescindir de partidos e,
sobretudo, do voto popular, base de qualquer processo democrático. Temos de
fazer um esforço para que o cidadão tenha mecanismos de controle mais
abrangentes sobre os seus representantes.
Precisamos muito, mas muito
mesmo, de formas mais eficazes de combate à corrupção. A Lei de Acesso à
Informação, sancionada no meu governo, deve ser ampliada para todos os poderes
da República e instâncias federativas. Ela é um poderoso instrumento do cidadão
para fiscalizar o uso correto do dinheiro público. Aliás, a melhor forma de
combater a corrupção é com transparência e rigor.
Em relação à Copa, quero
esclarecer que o dinheiro do governo federal, gasto com as arenas é fruto de
financiamento que será devidamente pago pelas empresas e os governos que estão
explorando estes estádios. Jamais permitiria que esses recursos saíssem do
orçamento público federal, prejudicando setores prioritários como a Saúde e a Educação.
Na realidade, nós ampliamos
bastante os gastos com Saúde e Educação, e vamos ampliar cada vez mais. Confio
que o Congresso Nacional aprovará o projeto que apresentei para que todos os royalties do petróleo sejam gastos exclusivamente
com a Educação.
Não posso deixar de
mencionar um tema muito importante, que tem a ver com a nossa alma e o nosso
jeito de ser. O Brasil, único país que participou de todas as Copas, cinco
vezes campeão mundial, sempre foi muito bem recebido em toda parte. Precisamos
dar aos nossos povos irmãos a mesma acolhida generosa que recebemos deles.
Respeito, carinho e alegria, é assim que devemos tratar os nossos hóspedes. O
futebol e o esporte são símbolos de paz e convivência pacífica entre os povos.
O Brasil merece e vai fazer uma grande Copa.
Minhas amigas e meus
amigos,
Eu quero
repetir que o meu governo está ouvindo as vozes democráticas que pedem mudança.
Eu quero dizer a vocês que foram pacificamente às ruas: eu estou ouvindo
vocês! E não vou transigir com a violência e a arruaça.
Será sempre em paz, com
liberdade e democracia que vamos continuar construindo juntos este nosso grande
país.
Boa noite!
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